Todo ano, o Tomás faz uma cartinha citando os presentes que ele gostaria de ganhar do Papai Noel. Este ano ele não precisou da minha ajuda, escreveu o que conseguiu escrever e desenhou o resto. Ele nunca pediu presentes caros. No ano passado, por exemplo, pediu uma caixa de cookies para o Papai Noel. Este ano, ele quer um livro e um DVD da Tinker Bell (a Sininho do Peter Pan) e bolinhas de gude.
"Tão diferente de mim", pensei. Quando era criança sempre fui megalomaníaca. Queria não apenas uma boneca, mas uma boneca que canta, dança e ri. Não uma bonequinha, mas daquelas do tamanho de uma criança de três anos... bem altas. Não apenas a barbie, mas a barbie, o carro, a casa, as roupas e a cozinha da barbie... Não tinha limites. Meu pai sempre me deu tudo. Não posso dizer que foi um erro, já que para ele dar presentes era sinônimo de demonstrar amor. Não me recordo da companhia dele, mas lembro muito bem dos natais e aniversários CHEIOS de presentes bonitos e caros. Resumo da ópera: o vazio de não ter um pai presente era preenchido por bens materiais... e ai, só Freud mesmo pra consertar a confusão que isso causa no emocional de uma pessoa...
Aqui em casa não colocamos muito atenção nos brinquedos, bens materiais. Por exemplo, a coisa mais importante do aniversário não é o presente, mas escolher o bolo, a vela... No Natal, tudo remete ao bom comportamento durante todo o ano e o presente é uma recompensa por esse esforço. Preciso me policiar muito para tentar passar essa mensagem para meus filhos, porque confesso que sou consumista e gosto de comprar. Mas também sei que isso é vazio e não me traz nada de bom, a não ser cinco minutos de felicidade e muitas horas me sentindo culpada por ter comprado uma coisa que eu não precisava.
A Ceila acha que a propaganda é a grande culpada por esse consumismo na nossa infância, hoje bem mais limitada. Concordo. Mas eu acho que, no meu caso, meus pais também tiveram grande influência nisso ao não colocar limites. Por conta disso, na vida adulta, sofri muito quando queria uma coisa e não tinha. Coisa de menina mimada... Por isso quando vejo o Tomás pedindo bolinhas de gude para o Papai Noel me sinto confiante que o caminho que ele vai seguir será diferente do meu e, espero, menos dolorido e mais cheio de lembranças das tardes que passamos juntos num parque ou lendo um livro debaixo das cobertas.
Obs. Não resisti e comprei uma caneta que lê livros, mas não sei se vou dar... é uma coisa que ele não pediu para o Papai Noel e nem sabe que existe... Essa caneta o ajudaria muito na leitura, mas não sei... todas às vezes que seguro o pacote, escuto uma voz lá no fundo... "consumista, consumista" kkkkkkkk Ainda tenho muito o que aprender!!!
3 de dezembro de 2009
O presente de Natal...
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Sueli
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30 de novembro de 2009
Como você fala com seu filho?
Eu já tinha visto alguns vídeos do Born Learning (ótimos, aliás), mas nunca tinha percebido na pele a importância de se tornar criança ao falar com minha filha. A razão é simples: eu sempre achei que seguia a cartilha do criancês...Mas só mesmo quando o outro nos alerta para óbvio que a gente cai na real, né?
A Malu andava muito irritada, nervosa e até malcriada ( ou mal criada?) neste mês de novembro. Achei que era falta de amigos, mas de novo era falta de mim. Eu falo tanto da hora qualitativa, discurso tanto sobre importância de estar 100% ao lado dela, mas vira e mexe lá estou eu - de novo- seguindo o caminho automático do cansaço. Senão são os blogs, os amigos ou a terapia, o risco de continuar no ritmo da rotina é imenso. Bastou um dia cantando ao fazer macarrão para (ufa!) recuperarmos nosso criancês.
É impressionante como eu preciso do criancês também para recuperar o sabor da vida. Eu confesso que a brincadeira que não me cansa é a leitura, mas haja saco para uma criança de cinco anos uma mãe que só escolhe ler na hora da brincadeira. Também gosto de cozinhar cantando e fazendo magia de bruxa, mas a Malu prefere mesmo 24 horas de criancês e ainda, se possível, pular corda, brincar na areia e haja exercício físico para uma sedentária conectada. Você tem idéia do que é 24 horas de criancês?
Conheça um estilo aqui, mas o essencial é inventar o seu:
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Ceila Santos
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26 de novembro de 2009
Processos e práticas
Eu tenho a honra de há 10 anos conviver com mesmo homem. É a construção mais rica que tive em toda minha vida e, sem dúvida nenhuma, a mais dolorida. Aprendemos a mudar de jeitos diferentes, mas sempre em busca de uma sintonia. No entanto, só mesmo com a chegada do termômetro ( minha filha) em casa há cinco anos que percebemos quem somos e a importância de entender melhor as nossas diferenças. É pela Malu que mergulhamos nas nossas próprias entranhas, deparamos com muito medos e, SEMPRE, reagimos de forma diferente.
Acabo de entender um pouco a razão das nossas diferenças. Eu sou processo, ele é prático. Talvez seja essa natureza que faça tantas mulheres sentirem culpas ou ter raiva do outro não se importar tanto com aquilo que é "crucial" para nossos filhos. Quando detecto uma dor, uma ausência ou um desafio na vida da Malu, começo a buscar respostas para tentar descobrir COMO vamos amenizar aquilo...Mas se exponho esses questionamentos ao meu grande companheiro, ele já busca solução como se a vida pudesse ser resolvida de forma prática. É isso que falta? Então, o ideal seria fazer assim e assado? Faça você...porque não é possível ser feito. O que você quer que eu faça?
A vida não é prática nem tem solução. É nisso que eu acredito. Não dá pra determinar as horas sagradas, os limites necessários e o que cada um vai fazer para melhorar o convívio social da família. Se fosse assim, os manuais teriam sentido. Eu não acredito em manuais. Eu acredito em pessoas e acho que elas se transformam por meio de processos. Eles vão, voltam e ás vezes nem saem do lugar. Não basta planejar nem determinar porque nada será feito exatamente como previsto. É preciso ficar alerta, mas acima de tudo ver a vida como uma construção, mas não aquela de uma casa onde tudo dá pra ser medido e colocado um tijolinho em cima do outro. Os tijolos da vida nem tem os mesmos formatos, como colocá-los um em cima do outro?
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Ceila Santos
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Marcadores: Desabafo, homem e mulher
23 de novembro de 2009
Parto ou Cesárea...De novo?
Eu sempre escrevo cesárea errado quando não consulto o dicionário ou Google. Coloco o acento no cé...É puro vício. A dúvida tende a permanecer pra sempre. Talvez, seja porque odeio mesmo ter feito cesárea e aí a raiva passou até pra palavra - instrumento do meu ganha pão. Louco isso, né!? Calma! Não vou falar mais de mim de novo. Prometo!
Volto ao tema PARTO ou CESÁREA para indicar dois links:
(http://www.amigasdoparto.com.br/pnac.html) das Amigas do Parto e (http://www.maternidadeativa.com.br/partonormal.html) do GAMA. Motivo?
Esses são os links que devemos usar, abusar, indicar, indicar, indicar e indicar quando citarmos a danadinha da cesárea, cesaria, césaria, cesarea, enfim, não importa se escreve certo ou errado, o importante é que utilize os links "certos". Certos? Sim, certos para mães virtuais que querem fazer diferente. Mas pode ser errado para você ( mesmo assim, eu aconselho que os utilize!!!) O motivo é técnico, mas o resultado pode ser social e transformador.
Eu explico. Já ouviu falar de SEO, né? Não. Dá uma lidinha na wikipedia depois...Então, a técnica é que ambos links estão dividindo a primeira página de resultado do Google. Pra estar lá precisa de SEO e isso pode significar um monte de coisa desde técnica pura, audiência grande ou referência pra muitos. A parte transformadora é que ambos links estão lá junto com outros sites, os quais têm algo em comum. São sites de gente grande, mídia de verdade e das antigas. Calma! Não sou contra mídia de massa, de agência de saúde patrocinada e nem das antigas. Eu nasci na Mídia Tradicional e a considero extremamente necessária.
A questão é outra. O conteúdo que ELES produzem segue um código profissional muito mais voltado á cultura da Saúde, aquela cheia de procedimentos, informações clínicas que traduz a língua do médico e, consequentemente, coloca a cesárea como opção. Já Amigas do Parto e GAMA tratam cesárea de forma diferente. Não se fala predominantemente de procedimentos, mas aponta para a cesárea que já foi feita e pode se tornar um parto normal e, no caso do GAMA, traz dica de CONHECIMENTO ( sinopse do livro: Parto ou Cesárea: o que toda mulher deve saber e homem também). Na lista de 12 resultados do Google, elas estão entre o 10 e 11 do ranking, mas elas poderão atingir o topo se eu, você e todas mães virtuais diferentes citarem sempre tais links quando escrever a palavra cesárea.
Eu usei e abusei de ambos links neste post, mas como eu já disse: aqui não faço nada sozinha. Estamos em rede e justamente esse coletivo que pode fazer diferente. Diferente, como? Quando você utiliza os links acima pra falar de CESÁREA, você contribui para deixar GAMA e Amigas do Parto lá em cima e tem ideía do que essa informação pode fazer se cair na tela da pessoa que procura por cesárea, mas passa a compreender a importância do parto normal. Isso é fazer diferente!!! Isso pode mudar a estatística vergonhosa que temos no Brasil quando se fala de maternidade.
PS: Vale lembrar que a Mídia Tradicional e de GENTE GRANDE pode pagar pelo SEO. Nós, não.
ANOTE!!!! (http://www.amigasdoparto.com.br/pnac.html) das Amigas do Parto e (http://www.maternidadeativa.com.br/partonormal.html) do GAMA. Motivo?
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Ceila Santos
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Marcadores: Amigas do Parto, GAMA, Parto do Princípio
20 de novembro de 2009
O Pequeno Príncipe
"Tu és responsável por tudo aquilo que cativas"
Você já leu o Pequeno Príncipe para o seu filho? Eu ainda não li para o Tomás, mas adoraria levá-lo ao Parque do Ibirapuera para visitar a exposição "O Pequeno Príncipe", que acontece na OCA até o dia 20 de dezembro. Menores de 3 anos não pagam entrada.
Em uma espaço de mais de 10 mil metros quadrados, serão exibidos materiais inéditos até mesmo na França que farão os visitantes se sentirem nas páginas do livro.
Serviço:“O Pequeno Príncipe na Oca”
Local: Oca, Parque do Ibirapuera, s/n – Portão 3 – Pavilhão Lucas Nogueira Garcez
Cerimônia de abertura: 21 de outubro às 19h30
Duração: 22 de outubro a 20 de dezembro
Horários de abertura: terças a sextas-feiras, das 9 às 19 horas, e das 10 às 20 horas nos finais de semana finais de semana e feriados.
Preço: R$ 18 (inteira), R$ 9 (meia) e livre para menores de três anos, maiores de 60, público especial e escolas públicas agendadas
Visitas monitoradas e agendamento escolar pelo telefone (11) 3883-9090 ou pelo e-mail: atendimento@divertecultural.com.br.
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Sueli
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Marcadores: exposição o pequeno príncipe
18 de novembro de 2009
Como enfrentar os fantasmas no dia da Consciência Negra?
Pesquisei, mas não achei nada. Minha sensação era de que já tinha falado sobre Raça e Preconceito por aqui e queria resgatar isso porque mudou muito meu olhar sobre esse tema. Sinto que agora sou mais consciente. No passado, eu tinha medo de ter preconceito. Ficava me questionando o tempo todo sobre hipóteses para provar se realmente eu não era preconceituosa. Exemplo: como reagiria com netinho negro? Será que eu o trataria com mais cuidado que os outros...Hoje me questiono menos porque entendo que essa angústia e receio são frutos do preconceito que existe no nosso cotidiano e, detalhe, na nossa história de mais de 400 anos de escravidão.
Por mais hipóteses que busco para ter certeza se sou, ou não, preconceituosa, nunca terei a certeza absoluta. Essa resposta é diária e deve ser dada na prática quando deparamos com o diferente e escolhemos tratá-lo como um irmão/"igual", ou não. É no cotidiano que existe a diversidade e não em hipóteses ideológicas. Não é fácil fazer sempre a escolha da diversidade porque ainda há muitos fantasmas rodeando nossos olhares e, ás vezes, nem percebemos que agimos mais como nossos antepassados do que com a nova realidade.
Criança ajuda muito a gente ver diverso, mas também a fazer preconceito. A esponjinha quando sai de casa ouvi os estigmas, os símbolos e de repente começa a te expor um mundo do século passado. Uma das coisas que me incomoda muito é a ESCOLA que ensina o Dia do Índio igualzinho eu aprendi. Ou seja, um homem que anda pelado, mora numa oca e é preguiçoso. É difícil trazer os milhares de outros lados. Museu Africano, no Parque Ibirapuera, me ajudou muito a mostrar para Malu a diversidade do índio e do negro, a chegada dos escravos, a cultura colorida e cheia de deuses. Até tentei falar da luta e mostrar as histórias, mas não houve interesse. Tudo ao seu tempo.
Por enquanto, ainda não veio nenhum fantasma da escola sobre a Consciência Negra. E, na sua casa, já chegou tais fantasmas? Como tem sido o desafio?
Mas, confesso, que há muitos discursos do pretinho ou negrão carregados dos símbolos da inferioridade dentro da família. Antes eu parecia um general gritando, tentando mudar o mundo aqui e agora. Hoje já não me machuca tanto...Só entro em ação quando sou questionada pela Malu ou retomo aquela atitude quando estou contando uma história antes de dormir...Eu já indiquei aqui a coleção Histórias à Brasileira, de Ana Maria Machado ( são tres livros deliciosos cheios de coisa nossa). Eles me ajudam muito a falar do capira, da catequese dos jesuitas, folclore e tantas outras consciências necessárias sobre Quem Somos. Mas não tem muita estória para ajudar na construção da Consciência Negra. Se tiver dica de livro infantil que conta boas histórias para juntos começarmos um novo capítulo após os 400 anos de escravidão, please, compartilhe conosco!
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Ceila Santos
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Marcadores: consciência negra, preconceito, racismo, raça
17 de novembro de 2009
Eu Quero Mais!!!
Eu resolvi ouvir o lado da indústria na I Conferência Internacional de Marketing Infantil para entender melhor todos lados da moeda do PL 5921/2001... Ainda preciso ouvir mais, ler o projeto antes de decidir minha posição, mas não tenho dúvida de que é crucial defender os direitos da infância na publicidade infantil. Além disso, é bom lembrar que o PL é resultado da mobilização e trabalho do Instituto Alana - uma organização extremamente importante, ética e séria.
Não há dúvida de que temas como esse devem ser obrigatórios em blog de mãe virtual que quer fazer diferente. Até porque uma das discussões que surgem caso o PL seja aprovado é de que a publicidade infantil será deslocada exatamente para nós, mães! E foi esse olhar da indústria que me chamou atenção. Estamos preparadas para sermos o alvo da indústria que produz o marketing infantil? Confesso que não sei...Ainda mais agora que a indústria pode me usar como ferramenta de mídia.
Por outro lado, não há dúvida de que há muitas oportunidades. Exemplo? Podemos transformar os interesses do consumismo em bem-estar social para a sociedade e, consequentemente, para nossos filhos. Exemplo? Lembra qual era a mensagem do OMO quando você era criança? Pois bem, agora o branquinho é pra sujar. Eu nunca tinha parado para pensar o quanto é inversa a mensagem de hoje com a do passado.
Isso me fez perceber o quanto as grandes marcas agora "vendem" o mundo da sustentabilidade, do politicamente correto, do bem estar, da solidariedade, do novo mundo, do resgate com a natureza...Bingo!!! Se agora somos também produtores de conteúdo, além de consumidores, podemos falar dos nossos interesses. Existe espaço para brincadeira no seu bairro? Alguém promove alguma coisa aí do lado da sua casa no fim-de-semana para você levar seu filho?
Eu adoraria levar minha filha no estádio de futebol ou no parque aqui perto para passar um domingo brincando de pular corda, de amarelinha, de dançar cirandinha e tantas outras brincadeiras de rua com a criançada do bairro. Isso custa dinheiro, mas muito pouco para setor privado e público. Podemos agora contribuir, colaborar e sugerir como consumidor quais são as lacunas e ausências que as mensagens da marca nos provocam.
Você pode falar da praça do seu bairro que precisa de reestruturação, da importância das festas regionais para celebrar brincadeiras antigas, da criação do Dia Nacional do Brincar, dos impactos da violência que invadiu o único espaço verde de alguns metros que tem ao lado da sua casa...Enfim, coisas que precisam ser feitas são o que não faltam para nossas crianças e não quero ver meus desejos só na telinha. Eu quero mais! Muito Mais! E, você, o que quer???
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Ceila Santos
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